Me perdoa, tá? Perdoa mesmo. É fácil eu ficar te apontando o dedo, te julgando, dizendo que fiz isso ou aquilo. É cômodo eu ficar no papel de mocinha e você no de vilão. Eu, a menininha que foi feita de palhaça, que foi mais uma na lista, que foi espinafrada e usada. Oh, que dó. Pobrezinha. Não! Não tenha pena. Nem te comove. Nem nada disso.
Eu sei o que sou, como sou e quem quero ser quando crescer. Tá bom, vai, sei que já sou uma mulher, mas eu queria ser criança. Esse mundo dos grandes é chato, cheio de responsabilidades e esse negócio de ter casa de adulto, trabalho de adulto e vida de adulto não é pra mim. Quero vida leve, livre, descompromissada e sem-rotina-enjoada. Quero poder ser quem eu sou, sair de cara lavada.
Desculpa, estou fugindo do assunto.
Me perdoa. Fui criança, mega-imatura, super-debochada e crazy. Imaginei uma coisa. E inventei um sentimento. Tudo pra que? Para satisfazer os meus próprios desejos infanto-juvenis. Acreditava que eu era a Cinderela. E tu um lindo príncipe. Ok, estamos em 2009. Pensamento mongol esse o meu, né?
Perdão, fugi na hora errada. Usei palavras mal ajustadas. Fiquei mal posicionada. Fui fria. Fui ácida. Fui indiferente. Quando era pra eu ter sido honesta, dei no pé legal. Sabe por quê? Deu medo. Tive medo de me envolver, de me apaixonar. Medo de te querer. Fiz tudo errado, do começo ao fim. Quando vi que estava pondo tudo a perder, pensei: vou mostrar tudo que eu quis esconder. Aí meti os pés pelas mãos. Vacilei, agi feito uma destrambelhada, me inventei, te reinventei. Queria que você visse que o que eu sentia era verdadeiro e real. E te "mostrei" isso de uma forma totalmente fora de propósito.
Te tirei do sério. Mas te tirei do sério mesmo. Lembra o que você me disse uma vez? Que eu era assim: via algo numa vitrine, achava bonito e quando obtinha o "algo" simplesmente não dava bola e não queria mais. Acho que tem razão. Sabe quando te dei valor? Sabe quando me apaixonei? Sabe quando te quis de verdade? Quando vi que estava começando a perder.
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