3 de ago. de 2009

Muito raro eu lembrar dos meus sonhos, mas hoje eu lembro de tudo. Detalhes. Não foi bem um sonho, eu diria. Parecia mais que real, parecia que já tinha acontecido ou que vai acontecer. Juro que não é tempestade em copo d'agua.
Eu tinha me suicidado e deixado duas cartas, uma para meu namorado e outra para minha mãe.
Na primeira tinha relembrado os momentos bons que passamos, tinha dito que o amava mais que tudo e queria vê-lo bem, podia até ser com outra, se estivesse feliz de lá eu também ficaria e que toda noite eu viria nos seus sonhos só pra afirmar mais uma vez que o amava muuito até ele ir me esquecendo e eu virar apenas uma lembrança 'boa'.
Já na da minha mãe, eu não fui tão gentil. Apenas agradeci por tudo que ela já fez por mim, disse que ela podia ter me dado mais valor, pedi pra que ela não fosse no meu túmulo levar flores, uma vez que ela nunca gostou, outra que deveria ter feito isso em vida e pedi desculpas. Lembro eu escrevendo isso chorando, deitada no meu quarto ouvindo seus risos na sala.
Foi tudo muito rápido nessa hora, o tempo não estava nublado como nos filmes. Estava muito calor. Muitos amigos foram, mas não vi sinceridade em nenhum. Minha mãe chorava, mas não tanto quanto eu imaginava. A que mais me doeu vendo chorar foi minha avó, parentes vieram, tios chocados, meu namorado chorando muuito, acho que até mais que minha própria mãe, sua família também estava lá, até seus amigos... Enfim, tinha muita gente. Acho que muito mais por curiosidade do que uma 'despedida'.
No fim do sonho, tinha uma visão bem pertinho de todos, enquanto fechava o caixão, minha mãe disse eu nasci pra fazer-la chorar, que seus problemas tinham acabado a partir dali.
Acordei, assustada. E foi só um sonho com detalhes, só isso.

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